DESTAQUES: Estudantes de 17 e 14 anos, comemoram aprovação em vestibular

DESTAQUE 1:
Filha de professora e de um pedreiro, a estudante Jéssica Kelly Alves da Silva de 17 anos vem colecionando vitórias em sua carreira estudantil. Oriunda de família simples, a sertaneja da cidade de Ibiara, a 469 km de João Pessoa, já passou em seis cursos universitários em apenas dois anos.

Para alcançar sucesso nas aprovações, Jéssica não tem uma vida tão fácil. Estudava só, mas contava com o auxílio de professores da sua escola e de um cursinho pré-vestibular.  Ela comentou que dedicava duas horas por dia para rever o conteúdo abordado em sala de aula. Entretanto não abria mão da diversão.

- Eu sempre me dediquei ao estudo. Tive o incentivo dos meus pais e graças a Deus conquistei algumas vitórias na minha carreira de estudante. Fiz meu primeiro vestibular aos 15 anos e passei. Porém, eu não deixava de me divertir – comemorou Jéssica.

Através do Sistema de Seleção Unificada (Sisu), PSS e vestibulares, a estudante passou nos cursos de Ciências Contábeis (UEPB e UFPB), dois de Fisioterapia (FIT e Inper), Administração (UFPB) e Medicina Veterinária (UFPB). “Eu estou cursando atualmente Ciências Contábeis na UFPB, aqui em João Pessoa. Pretendo terminar o curso”, disse a estudante.

A aprovação de Jéssica Kelly tem um significado importante para toda comunidade escolar da cidade. A universitária foi eleita, através de uma pesquisa de opinião pública em Ibiara, destaque no prêmio ‘Melhores do Ano’. A votação foi entre os munícipes.

A rede pública de ensino tem destaque quase sempre por conta de fatos negativos, como a deficiência estrutural, problemas na composição do corpo docente ou até mesmo pela violência escolar. Porém, a universitária deixa um recado: “todos nós somos capazes de conquistar algo. É preciso enfrentar as adversidades e correr atrás do seu sonho. Nunca desista que conseguirá".

DESTAQUE 2:

Um estudante de apenas 14 anos, estudante de uma escola pública de Mari, conseguiu aprovação para UFPB. Gabriel Leite, conseguiu uma vaga no curso de Física na Universidade Federal da Paraíba (UFPB) através do Sistema de Seleção Unificada (Sisu). O adolescente fez 536 pontos no exame e a princípio estaria apto a entrar no curso. Porém, o garoto e a mãe, Antônia Leite, estão buscando ajuda jurídica para Gabriel poder fazer sua matrícula, pois ele ainda não concluiu o ensino médio e teria de possuir um certificado de conclusão dos últimos anos de colégio e entrar na Justiça para assegurar a vaga. Casos como o de Gabriel estão se tornando comuns no Brasil e na Paraíba: em uma escola particular de João Pessoa, 40 alunos ficaram na mesma situação de Gabriel do ano passado para cá.
A mãe do garoto, Antônia, já sabe da dificuldade de conseguir êxito nos tribunais em casos como esse. “Nós precisamos de um advogado para ele poder entrar na faculdade. É um caso bastante raro, no Brasil inteiro parece que só tem três casos de alunos que conseguiram entrar na universidade sem terminar o Ensino Médio. Uma menina do Mato Grosso do Sul passou para Artes Visuais na universidade de lá e conseguiu entrar no curso”, afirmou.

Antônia destaca que o filho também tem consciência da dificuldade para ingressar na faculdade. “Ele está ciente de que pode não chegar à universidade, ele não vai se aborrecer”, disse. Apesar do filho ser muito novo, Antônia disse que Gabriel demonstra maturidade para encarar o desafio. “Ele é um menino muito tranquilo. Tem 14 anos, mas todo mundo diz que ele tem cabeça de 18, 20 anos. Incentivo ele nos estudos, mas graças a Deus não preciso ficar pegando no pé dele, ele sempre foi muito responsável com os estudos”, explicou a mãe.

Gabriel mora em Mari (município do Brejo paraibano, a 80 km de João Pessoa) e estuda na Escola Estadual José Paulo de França. Ele contou que esteve perto de entrar em outro curso, mas acabou obtendo vaga para a segunda opção, Física. “Fiz o Enem só para pegar experiência mesmo, mas quando saiu o resultado vi que a média estava acima do normal e me inscrevi no Sisu. Na primeira chamada, fiquei perto de passar para Engenharia da Computação, mas não deu. Aí na segunda chamada, fui convocado para o curso de Física”, explicou. Ele recebeu a notícia com muita alegria, pois tem como objetivo cursar faculdade na área de Exatas, apesar de dividir os estudos com a participação de um programa jornalístico de uma rádio local. “Em casa foi uma festa. Fiquei surpreso, meu irmão mais velho então ficou mais surpreso ainda. Minha intenção é ir direto para a universidade mesmo”, disse.

O estudante admite que não passa horas e horas em frente aos livros, mas gosta muito dos estudos. “Confesso que eu não sou muito aplicado, mas sempre tive uma facilidade grande para aprender as coisas. Escolhi Física porque prefiro muito mais a área de exatas, tenho preferência em trabalhar com algo que envolva a área de computação”, afirmou.


Fonte: Correio da Paraíba



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